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Mãos em nossa História

Esta é uma história de muitas mãos, mãos que se uniram para ajudar, para modificar, para sair do lugar comum e criar espaço para a transformação das vidas e das coisas que as mãos pudessem alcançar.

Afinal, o compromisso destas mãos seria com a vida, mas senta que lá vem a história:

Na zona leste de São Paulo, próximo ao Tatuapé, uma Comunidade dava as mãos para começar a realizar um sonho de mais de 20 anos, iniciando em 2007, um trabalho com o Grupo de Terceira Idade.

Preocupados com a curva de aumento da idade da população brasileira e o despreparo de nossa cultura social em lidar com pessoas com mais de 60 anos.

Estas mãos iniciaram um trabalho para levar a pessoa do Grupo da Terceira Idade, a ter qualidade de vida integral, desenvolvendo o corpo, a mente, as emoções e a essencialidade. Ampliando a intensidade do relacionamento das pessoas deste grupo consigo mesmas, com as pessoas ao seu redor e com a Vida, em todas as suas dimensões.

O Grupo Organizador reunia muitas mãos voluntarias: psicólogos, advogados, médicos, dentistas e demais profissionais, para levar conhecimento através de encontros e palestras. Vivencias para compreensão e transformação emocional. A Dança Sênior e outras atividades físicas, trazendo desenvolvimento e consciência corporal. Passeios, trazendo lazer e cultura. Meditação e interiorização que vitalizavam a essencialidade do grupo.

Mãos e mais mãos se fortalecendo.

Todos olharam entre si e disseram que trabalho com tanta nobreza, só pode ter um nome: “PROJETO IDADE NOBRE”, nascia assim o nome do Projeto. Porém, para que tudo isto continuasse, muitas atividades começavam a exigir formalização, pois pessoas e empresas queriam ajudar, mas sem um CNPJ, uma barreira se levantava…

Enquanto isto na zona sul de São Paulo, outra Comunidade resolvia dar as mãos, olhando em seu entorno e percebendo a vulnerabilidade social local, em itens básicos, como alimentação, atenção, cuidado e a falta de atividades sadias que ocupassem jovens e crianças, gerando uma nova perspectiva de vida. Então viram que não podiam ficar parados e as mãos resolveram agir, típico de mãos que não se acomodam.

Neste movimento de muitas mãos, algumas observaram que os filhos destas famílias, alguns jovens, outros ainda crianças, não ocupavam o tempo de uma forma construtiva e aos poucos o vício e os maus hábitos iam tomando estas vidas para si. Um deles que havia dedicado anos ao treino do Jiu Jitsu propôs que as mãos se unissem para oferecer o esporte como elemento de desenvolvimento físico e moral, para estas crianças e jovens.

O mestre que havia treinado este jovem, integrante da família Grace, que organizou o Jiu Jitsu no Brasil, ficou sabendo da iniciativa e se comprometeu em graduar os meninos e jovens permitindo que eles pudessem competir em campeonatos oficiais, mais mãos. O seu entusiasmo foi tão grande que revelou ter iniciado a desenvolver um projeto com estes mesmos objetivos, mas que não havia tido tempo de concluí-lo e que esse sonho era lindo: poder levar este esporte a toda a Nação de Jovens e Crianças em condição socialmente vulnerável. Por isso, o nome que havia dado ao Projeto era: “Nação Jiu Jitsu”. Pronto! com seu consentimento, esta ação agora ganhava nome: “PROJETO META JIU JITSU”. Além disto, foi conseguido que uma das Federações arrecadasse alimentos não perecíveis através de campeonatos e que fosse revertido para os dois projetos.

Outros começaram a doar equipamentos e a querer ajudar, estendendo as mãos. Pessoas e empresas também queriam ajudar e a mesma pergunta que fora feita na zona leste se repetiu aqui: vocês possuem CNPJ? Uma barreira se levantava…

Mãos invisíveis acompanhavam todas estas mãos materiais que se uniam para fazer trabalhos tão relevantes, em partes diferentes da cidade e resolveram usar uma pessoa para ser o elo entre todas as mãos e a grande idéia surgiu: “vamos todos dar as mãos e formar uma OSCIP”.

Assim vimos o seguinte Edital publicado em um jornal da zona leste de São Paulo:

EDITAL DE CONVOCAÇÃO: Ao dia 14 de agosto de 2010, às 10 horas, sito Rua Bom sucesso, 504 sala 01, bairro Mãe do Céu – na Cidade de São Paulo, estado de São Paulo, será realizada a Assembléia de Constituição do INSTITUTO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA E RECUPERAÇÃO SOCIAL – INAR”

O INAR, que tem como logotipo uma mão formada por pessoas, por sua história de origem. Nasceu, não com um determinado projeto social, mas como um agregador de pessoas e projetos, com o objetivo de influenciar políticas públicas, empresas, órgãos públicos, outras OSCIPs e pessoas da sociedade civil a se unirem, dando as mãos para beneficiar a sociedade em que todos vivemos.

Este grupo agora, formando esta instituição, já se uniu para lançar o terceiro projeto do Instituto, pois este era coincidentemente o sonho de muitos que compõe o Grupo: a formação de uma casa de recuperação para adictos em álcool e drogas.

Fechamos um termo de parceria com a “Associação SUPRIR Ações Humanitárias” e deste modo o INAR também opera suas ações em conjunta com as ações da SUPRIR, demos as mãos.

Precisamos muito de você para continuar escrevendo esta história, venha nos conhecer e trabalhar conosco.

ESTAMOS ESPERANDO A SUA MÃOZINHA AMIGA…

VAMOS DAR AS MÃOS !

Para incentivá-lo a compreender a importância de suas mãos o INAR adotou como texto de inspiração o poema de Vinícius de Moraes “Operário em Construção”.

Boa leitura, boa inspiração no Poema de autoria de Vinicius de Moraes:

OPERÁRIO EM CONSTRUÇÃO

Era ele que erguia casas

Onde antes só havia chão.

Como um pássaro sem asas

Ele subia com as casas

Que lhe brotavam da mão.

Mas tudo desconhecia

De sua grande missão:

Não sabia, por exemplo

Que a casa de um homem é um templo

Um templo sem religião

Como tampouco sabia

Que a casa que ele fazia

Sendo a sua liberdade

Era a sua escravidão.

De fato, como podia

Um operário em construção

Compreender por que um tijolo

Valia mais do que um pão?

Tijolos ele empilhava

Com pá, cimento e esquadria

Quanto ao pão, ele o comia…

Mas fosse comer tijolo!

E assim o operário ia

Com suor e com cimento

Erguendo uma casa aqui

Adiante um apartamento

Além uma igreja, à frente

Um quartel e uma prisão:

Prisão de que sofreria

Não fosse, eventualmente

Um operário em construção.

Mas ele desconhecia

Esse fato extraordinário:

Que o operário faz a coisa

E a coisa faz o operário.

De forma que, certo dia

À mesa, ao cortar o pão

O operário foi tomado

De uma súbita emoção

Ao constatar assombrado

Que tudo naquela mesa

– Garrafa, prato, facão –

Era ele quem os fazia

Ele, um humilde operário,

Um operário em construção.

Olhou em torno: gamela

Banco, enxerga, caldeirão

Vidro, parede, janela

Casa, cidade, nação!

Tudo, tudo o que existia

Era ele quem o fazia

Ele, um humilde operário

Um operário que sabia

Exercer a profissão.

Ah, homens de pensamento

Não sabereis nunca o quanto

Aquele humilde operário

Soube naquele momento!

Naquela casa vazia

Que ele mesmo levantara

Um mundo novo nascia

De que sequer suspeitava.

O operário emocionado

Olhou sua própria mão

Sua rude mão de operário

De operário em construção

E olhando bem para ela

Teve um segundo a impressão

De que não havia no mundo

Coisa que fosse mais bela.

Foi dentro da compreensão

Desse instante solitário

Que, tal sua construção

Cresceu também o operário.

Cresceu em alto e profundo

Em largo e no coração

E como tudo que cresce

Ele não cresceu em vão

Pois além do que sabia

– Exercer a profissão –

O operário adquiriu

Uma nova dimensão:

A dimensão da poesia.

E um fato novo se viu

Que a todos admirava:

O que o operário dizia

Outro operário escutava.

E foi assim que o operário

Do edifício em construção

Que sempre dizia sim

Começou a dizer não.

E aprendeu a notar coisas

A que não dava atenção:

Notou que sua marmita

Era o prato do patrão

Que sua cerveja preta

Era o uísque do patrão

Que seu macacão de zuarte

Era o terno do patrão

Que o casebre onde morava

Era a mansão do patrão

Que seus dois pés andarilhos

Eram as rodas do patrão

Que a dureza do seu dia

Era a noite do patrão

Que sua imensa fadiga

Era amiga do patrão.

E o operário disse: Não!

E o operário fez-se forte

Na sua resolução.

Como era de se esperar

As bocas da delação

Começaram a dizer coisas

Aos ouvidos do patrão.

Mas o patrão não queria

Nenhuma preocupação

– “Convençam-no” do contrário –

Disse ele sobre o operário

E ao dizer isso sorria.

Dia seguinte, o operário

Ao sair da construção

Viu-se súbito cercado

Dos homens da delação

E sofreu, por destinado

Sua primeira agressão.

Teve seu rosto cuspido

Teve seu braço quebrado

Mas quando foi perguntado

O operário disse: Não!

Em vão sofrera o operário

Sua primeira agressão

Muitas outras se seguiram

Muitas outras seguirão.

Porém, por imprescindível

Ao edifício em construção

Seu trabalho prosseguia

E todo o seu sofrimento

Misturava-se ao cimento

Da construção que crescia.

Sentindo que a violência

Não dobraria o operário

Um dia tentou o patrão

Dobrá-lo de modo vário.

De sorte que o foi levando

Ao alto da construção

E num momento de tempo

Mostrou-lhe toda a região

E apontando-a ao operário

Fez-lhe esta declaração:

– Dar-te-ei todo esse poder

E a sua satisfação

Porque a mim me foi entregue

E dou-o a quem bem quiser.

Dou-te tempo de lazer

Dou-te tempo de mulher.

Portanto, tudo o que vês

Será teu se me adorares

E, ainda mais, se abandonares

O que te faz dizer não.

Disse, e fitou o operário

Que olhava e que refletia

Mas o que via o operário

O patrão nunca veria.

O operário via as casas

E dentro das estruturas

Via coisas, objetos

Produtos, manufaturas.

Via tudo o que fazia

O lucro do seu patrão

E em cada coisa que via

Misteriosamente havia

A marca de sua mão.

E o operário disse: Não!

– Loucura! – gritou o patrão

Não vês o que te dou eu?

– Mentira! – disse o operário

Não podes dar-me o que é meu.

E um grande silêncio fez-se

Dentro do seu coração

Um silêncio de martírios

Um silêncio de prisão.

Um silêncio povoado

De pedidos de perdão

Um silêncio apavorado

Com o medo em solidão.

Um silêncio de torturas

E gritos de maldição

Um silêncio de fraturas

A se arrastarem no chão.

E o operário ouviu a voz

De todos os seus irmãos

Os seus irmãos que morreram

Por outros que viverão.

Uma esperança sincera

Cresceu no seu coração

E dentro da tarde mansa

Agigantou-se a razão

De um homem pobre e esquecido

Razão porém que fizera

Em operário construído

O operário em construção.

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